Esqueçam o glamour do Japonês e do hipster da Polícia Federal

Por Antônio Macedo

A televisão lançou alguns policiais federais ao estrelato com cenas e fotos famosas das prisões da operação Lava Jato. Quem não se lembra do Japonês da Federal? E do hipster bonitão? Bem, esqueça esse glamour todo. A rotina dos agentes da Polícia Federal é bem diferente, principalmente no começo da carreira.

Se você passar, pode ser que seja alocado nos confins da Amazônia e só consiga chegar a Manaus depois de passar umas seis horas em um avião ou 30 em um barco-táxi. Não digo isso para desmotivar ninguém. Mas é preciso estar preparado: você vai ralar bastante nos primeiros anos.

Quando comecei, em 2001, fui trabalhar na cidade de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai. Por ali funciona a maior rota de tráfico de drogas do país e trabalho era o que não faltava! A toda hora, meu telefone tocava com pedi dos para acompanhar alguma operação — “vai sair um carregamento de tal coisa, precisamos de agentes na pista”.

Antes de passar no concurso, minha vida toda estava no Distrito Federal. Fui parar a quase 1,5 mil quilômetros de distância de casa. Só consegui remoção para outro canto em 2004. E ainda não voltei para casa fui para Aracaju. Retornei para Brasília em 2010. Quase por sorte: um colega de Aracaju trabalhava por lá e fizemos a permuta.

As carreiras na Polícia Federal começam assim mesmo. Quando o órgão abre um concurso, os funcionários da ativa escolhem se querem transferência para outra cidade. E aí sobram aos novatos os locais mais remotos e com maior demanda de trabalho. Se você passar, pode ser que seja alocado nos confins da Amazônia e só consiga chegar a Manaus depois de passar umas seis horas em um avião ou 30 em um barco-táxi. Não digo isso para desmotivar ninguém. Mas é preciso estar preparado: você vai ralar bastante nos primeiros anos.

E tudo bem se essa for sua praia. Aliás, se você não gostar de rotina, a vida na PF pode se encaixar perfeitamente. Eu adoro meu trabalho e nunca me arrependi de ter mudado de profissão. Pelo contrário, vivia frustrado na educação. As mudanças nessa área demoram muito tempo para acontecer (quando acontecem).

Na Polícia Federal, a cada operação, eu vejo resultados imediatos. Não somos super-heróis, e não tenho a menor pretensão de resolver todos os males do Brasil. Mas faço o meu melhor.