Como vencer a depressão pós-reprovação?

A campanha do Setembro Amarelo pode ter acabado, mas a conscientização frente aos problema psicoemocionais deve permanecer nos 365 dias do ano. Infelizmente, muitas pessoas acabam adquirindo sintomas depressivos e pensamentos suicidas após serem reprovadas em concursos públicos ou vestibulares: é a chamada Depressão pós-reprovação.

É normal a pessoa se sentir mal após não se sair como esperado durante uma etapa de avaliação. Afinal, quem se inscreve em um concurso público, costuma sonhar em ter um bom salário, conquistar a estabilidade empregatícia e financeira, mudar a vida dos familiares e amigos e poder contribuir com o serviço público do país.

Porém, quando esse sonho não se materializa com o nome na lista de aprovados, nem todos encaram essa realidade da melhor forma possível.

A psicóloga Luciana Miranda, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, mencionou os sinais mais comuns de quem está com depressão, que pode ser identificado por aqueles que desencadearam essa doença após à reprovação em um concurso público.

“Normalmente ela começa a apresentar mudanças de comportamentos, como parar de fazer coisas ou frequentar lugares das quais gostava, começa a ficar mais desapegadas de seus bens materiais e de objetos que antes tinha muito apego, começa a falar frases, “como a vida não vale a pena”, “nada faz sentido” ou “ninguém sente ou vai sentir a minha falta”. Outro ponto de alerta são comportamentos imprudentes, como o consumo excessivo de álcool ou outras drogas, direção agressiva ou qualquer outro tipo de atitude que evidenciem a falta de cuidado com sua integridade física”.

Sempre há uma luz no fim do túnel

E onde encontrar força e estímulo para se inscrever mais uma vez em um concurso público? Para muitos pode parecer difícil, até impossível, mas sempre vale a pena seguir tentando.

Por isso, listamos algumas dicas importantes para você reconhecer a guerra, não desanimar, levantar a cabeça e dar a volta por cima. Confira!

Identifique seus inimigos

Olhe atentamente o gabarito da prova para identificar as questões que você errou. Analise os pontos aos quais você deveria ter se atentado mais e a disciplina que foi seu “calcanhar de Aquiles” para que, num futuro concurso, você dedique maior tempo de estudo nos pontos em que teve mais dificuldade.

Às vezes, o nervosismo também é um inimigo, que só vem para atrapalhar e nos fazer esquecer do conteúdo que estudamos durante meses. Se esse foi seu caso, procure simular o dia da prova durante a preparação, procurando fazê-la num ambiente semelhante ao que você encontrará no dia e também a faça com o mesmo tempo de duração estipulado pela banca. Investir em simulados é uma excelente opção!

Assim, sua mente estará melhor condicionada a esse momento de tensão. Caso não surta muito efeito, procure a ajuda de um psicólogo. E capriche na preparação meses antes da prova, pois o seu fracasso pode ter sido causado por falta de empenho nesse período, ou mesmo, problemas pessoais podem ter atrapalhado os estudos, tirando sua concentração e energia.

Não culpe ninguém pelo seu fracasso

Até mesmo como forma de amenizar a própria culpa, há concurseiros que jogam a responsabilidade para terceiros ou para fenômenos exteriores: professores, amigos, parentes, namorado(a) ou cônjuge, trânsito, crise econômica, entre outros. NÃO FAÇA ISSO!

Assumir que fracassou é uma importante ferramenta para não cair na depressão. Culpa aos outros não diminuirá sua dor. Aprenda a ouvir mais e falar menos, pois muitas dessas pessoas só querem seu bem e torcem pelo seu sucesso.

Siga estudando!

E não há outro caminho para conseguir o ingresso no serviço público do que estudar, estudar e estudar. Sei que pode haver casos de estudantes que se matam nos livros e apostilas e nem sempre são bem-sucedidos nas provas. Cada caso é um caso. Se preocupe com o seu caso, estude o máximo possível, mesmo que você considere já dominar o assunto. E até se você for aprovado por conta da meta de aprovação, mas não conseguir passar por conta da quantidade de vagas oferecidas, continue a estudar! Não pense que a batalha está totalmente perdida, siga se preparando, adquirindo mais e mais conhecimento, afinal, outros concursos virão!

Reprovação é aprendizado

O que o ator Albert Einstein, Steve Jobs, os Beatles, a judoca Rafaela Silva e o ator Leonardo DiCaprio têm em comum? Todos eles foram rejeitados, derrotados, diminuídos, e até disseram que eles não iriam conseguir. Pesquise a trajetória de vida dessas pessoas e vejam o quanto tiveram que suar para conquistar um Prêmio Nobel, uma empresa de sucesso, vender milhões de discos, conquistar uma medalha de ouro em uma Olimpíada e conquistar um Oscar depois de sucessivas tentativas, respectivamente. Se eles não desistiram, por que você desistirá? Perder faz parte do jogo da vida.

Não tenha vergonha de pedir ajuda caso a depressão persista, seja de um especialista ou de uma pessoa que lhe tenha afeto para te auxiliar a trabalhar suas deficiências e reconhecer suas qualidades, conforme já havia recomendado a psicóloga Luciana Miranda, pois “Depressão não é frescura, é uma doença e como tal precisa ser tratada”. Por isso, concurseiro, não se desanime na primeira, segunda ou décima quinta derrota em um concurso público. Siga em frente, pois como diria Simón Bolívar: “A Arte de Vencer se aprende nas derrotas”.