Bacen: presidente do Sinal defende a abertura urgente de concurso

Presidente do Sinal, Fabio Bottini diz que a defasagem de pessoal está sobrecarregando os atuais servidores e colocando em risco o desenvolvimento de atividades rotineiras do Bacen

O Banco Central (Bacen) encaminhou ao Ministério da Economia um novo pedido de concurso, para ser aberto em 2022. A solicitação foi para 245 vagas, sendo 30 de técnico (nível médio; R$7.741,31), 200 de analista (superior; R$19.655,06) e 15 de procurador (Direito; R$21.472,49). Na visão do novo presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), Fabio Bottini, é fundamental que o governo autorize a abertura da seleção, tendo em vista a grande carência de pessoal e a previsão de centenas de aposentadorias.

Segundo Fabio Bottini, a defasagem de pessoal está sobrecarregando os atuais servidores e colocando em risco o desenvolvimento de atividades rotineiras da autarquia. Segundo ele, o Bacen não pode ficar mais um ou dois anos sem contratar novos servidores, sob o risco de entrar em colapso.

“Há centenas de servidores que já cumpriram os requisitos necessários à aposentadoria. Cabe destacar que os efeitos de um órgão público esvaziado são, inevitavelmente, sentidos pelos atores que dependem das atividades por ele desempenhadas. Neste caso, se o Bacen ficar mais dois anos sem concurso, a principal prejudicada, cedo ou tarde, será a população brasileira.

Veja a seguir a entrevista com o presidente do Sinal:

O Bacen encaminhou um novo pedido de concurso ao Ministério da Economia para 245 vagas, sendo 30 de técnico, 200 de analista e 15 de procurador. Como o Sinal recebe essa notícia? Espera que dessa vez finalmente o banco tenha sua solicitação atendida?

Fabio Bottini – O incremento do quadro funcional é um pleito pelo qual o sindicato vem se empenhando há bastante tempo, em face do crescente risco de comprometimento de atividades desempenhadas pelo Banco Central do Brasil. Novos concursos serão sempre bem-vindos, no entanto não tem sido este o foco da política do atual ministro da Economia. O que esperamos, agora, é um movimento político mais incisivo dos dirigentes da autarquia junto ao Executivo, à altura da demanda interna e da importância estratégica que o órgão possui.

Essas 245 vagas não representam nem 10% da atual carência de pessoal, que é de 2.939 servidores. O senhor acha que o Bacen foi muito tímido em seu pedido ou acredita que o banco elaborou uma solicitação mais realista, de forma que o Ministério da Economia tenha condições de atender ao pleito?

É um pedido mais realista, como citado. Contudo, haja vista a escassez de concursos nos últimos anos, não só no Bacen, é importante frisar que a verdadeira e cruel realidade à porta é a do esvaziamento do quadro funcional. Por aqui, não vemos novos concursos há muitos anos!

O senhor já teve a oportunidade de conversar com o presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, sobre a situação do quadro de pessoal e da necessidade de se abrir concurso para o banco? Caso positivo, qual foi o retorno obtido? Considera que ele este empenhado nesse sentido?

O Sinal já levou ao presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, em mais de uma oportunidade, a demanda pela realização de novos concursos. Recentemente, solicitamos nova audiência ao Campos Neto (ainda não há confirmação do encontro) para tratar de diversos pontos, dentre eles o preenchimento dos cargos vagos, oportunidade na qual teremos mais clareza acerca do tema.

Como a falta de pessoal vem prejudicando o bom funcionamento do banco? Os servidores estão muito sobrecarregados?

A constante defasagem do efetivo vem sobrecarregando, dia a dia, os servidores remanescentes. Essa situação é ainda agravada pelo contexto da pandemia, que afeta os mais variados setores da sociedade brasileira. Os servidores do Bacen hoje estão, sim, sobrecarregados.

O setor de Meio Circulante é que o demanda mais servidores? Como a falta de pessoal impacta essa área?

Impacta não só, mas inclusive o Meio Circulante. Todos os setores do Bacen são afetados. A falta de servidores já prejudica (ou mesmo impede) o desenvolvimento de novos projetos. Em se perpetuando esta realidade, até mesmo a rotina de trabalhos do Meio Circulante será prejudicada.

Quais são os estados onde o efetivo do Bacen está mais desfalcado? 

Os desfalques se dão em todas as praças. Na capital federal e nas outras nove representações do Bacen. Não há como indicar onde se sente mais a falta de reposição de servidores, uma vez que o problema é generalizado. Faltam profissionais em todos os setores do Bacen, o que coloca em risco até o desenvolvimento de atividades rotineiras da autarquia.

O Bacen possui ainda muitos servidores com idade para se aposentar? Ficar mais um ou dois anos sem contratar novos servidores poderá levar o banco ao colapso e afetar a política econômica do país?

Há, sim, centenas de servidores que já cumpriram os requisitos necessários à aposentadoria. Cabe destacar que os efeitos de um órgão público esvaziado são, inevitavelmente, sentidos pelos atores que dependem das atividades por ele desempenhadas. Neste caso, se o Bacen ficar mais dois anos sem concurso, a principal prejudicada, cedo ou tarde, será a população brasileira.

Qual cenário que o senhor traça para a autarquia se não houver ingresso de novos servidores no ano que vem?

A perspectiva, como não poderia deixar de ser, é de agravamento da defasagem. Uma hora a situação se tornará insustentável. Não dá para manter a alta qualidade das entregas, pela qual o Bacen se notabilizou, com um quadro funcional em desmanche. E, para reverter este cenário, nada substitui o concurso público. 

O governo vem dificultando a abertura de concursos, alegando que os órgãos precisam primeiro se tornarem digitais. O senhor considera que o Bacen é uma autarquia que já atingiu seu ápice no processo de digitalização?

Este é um processo permanente, sem dúvidas, e é importante a Administração Pública, na medida do possível, acompanhar a constante inovação dos meios digitais. O Bacen está adiantado nesse processo. Somos plenamente favoráveis a tecnologias que permitam mais precisão, segurança e celeridade ao dia a dia dos órgãos públicos, mas essa alegação do ministro da Economia nos parece mais uma tentativa de justificar a ausência de planejamento na área de gestão de pessoal. Os meios digitais são importantes aliados, mas não substitutos diretos como, às vezes, tenta-se fazer parecer.