Sem medo da concorrência

Aprovado em primeiro lugar no concurso do INSS, Mauro Rocha conta sobre sua rotina de estudos e a rotina como técnico de seguro social

Aos 44 anos, Mauro Rocha, técnico em processamento de dados, sentia que perderia o emprego a qualquer momento. Trabalhava na área de informática da Bovespa e quando a empresa fez a fusão com a BMF sentiu seu cargo ameaçado.

“Pressenti que poderia ser demitido para entrar alguém mais novo no meu lugar”, relembra. Tomou, então, uma decisão: estudaria para concursos públicos, para não depender mais de empresas privadas.

Estudou as possibilidades e escolheu pelo INSS — havia informações de que, em breve, o órgão publicaria novo edital. “Era um salário bom, com algumas matérias que eu já sabia e vagas para nível técnico, não só superior”, conta.

“ela me disse: você está com medo por quê? Você só precisa de uma vaga — a sua. O resto não importa”

No segundo semestre de 2010, deixou de fazer horas extras para a empresa e se dedicou aos estudos. Ele se dividia entre o emprego fixo, os estudos e a família. Sabia o que precisava priorizar: direito previdenciário e português — duas disciplinas que ainda não dominava. Fazia cursos online, devorou o edital anterior, testava seus conhecimentos com questões das provas antigas. No ônibus, estudava. Em casa, estudava e cuidava do filho de nove anos.

Como previsto, em novembro de 2011, Mauro recebeu a notícia sobre sua demissão. Mas nem deu tempo de se abalar. No mês seguinte, o INSS publicou seu edital. Era a chance dele: desempregado, teve ainda mais tempo para se dedicar aos estudos. Matriculou-se no curso de Direito Previdenciário da Central de Concursos. “Eu gravava as aulas e escutava por aí. Troquei as músicas pelos áudios da minha professora”, brinca.

Só tomou um susto quando saiu a relação de candidatos/vagas. Era 5.100 pessoas inscritas para uma única vaga na cidade de Diadema. Foi a mulher quem deu o conselho: “ela me disse: você está com medo por quê? Você só precisa de uma vaga — a sua. O resto não importa”, diz. As palavras caíram tão bem que Mauro arrasou na prova. Marcou 96 pontos e passou em primeiro lugar.

E sente o quanto valeu a pena o esforço. Assumiu o cargo de técnico de seguro social em julho de 2012. Trabalha na recepção da agência e faz atendimento às pessoas para explicar sobre os seus benefícios e como retirá-los. “Eu sinto que estou ajudando as pessoas. E sempre gostei disso. Valeu a pena”, conclui.