Não há um dia igual ao outro

Na Polícia Rodoviária Federal, há pouca rotina e muito prazer — e a sensação de dever cumprido

Por Rony Huguenin, agente de polícia da Polícia Rodoviária Federal

Assumi meu cargo na Polícia Rodoviária Federal em 2012. E posso dizer com certeza: o serviço é dinâmico e há pouca rotina. Em alguns dias, faço tarefas de combate ao crime, fiscalização de trânsito, apreensão de drogas e armas. Em outros, como sou formado em odontologia, auxilio os programas de avaliação de saúde do órgão — aplicamos testes físicos e outros exames para medir a saúde.

Todo dia é diferente, e cada dia me surpreende um pouco. No ano passado, prendemos um jovem professor, de classe social alta. Ele escondeu, em um fundo falso, 32 quilos de pasta base de cocaína. Naquela mesma época, outro homem vinha de Foz do Iguaçu (PR) com instrumentos musicais e aparelhagem de som. Paramos. Dentro dos amplificadores, guitarras e violões, havia armas e munições para abastecer o tráfico no Rio de Janeiro.

Essas duas situações me marcaram muito. E me fazem sentir orgulho do meu trabalho. Atualmente, trabalho em São Paulo. Mas comecei no Rio Grande do Sul, em Uruguaiana, cuidando da fronteira com a Argentina e o Uruguai. Foram 12 meses lá. Em pouco tempo, um ano depois, consegui a transferência para voltar à minha cidade. E nem por isso há menos trabalho. A rota do tráfico (de armas e drogas) passa por aqui.

Não anda fácil, com o efetivo tão reduzido, mas ainda assim mantemos as estatísticas de produção e resultados. Justamente por causa da falta de funcionários que o concurso é tão urgente. E essa é a sua chance. Mantenha o foco.

Falo como concurseiro escolado — passei no meu concurso aos 17 anos, quase 30 anos atrás. Pegue firme nos estudos, pois ainda há tempo. Se o edital sair nos próximos 30 dias (estou especulando), por exemplo, você terá mais uns 60 dias para estudar. Portanto, organize- se. Tire de duas a três horas, pelo menos, por dia. E preste atenção, em especial, no Código de Trânsito Brasileiro e nas matérias jurídicas.

Vale a pena o esforço: além de estabilidade e bons salários, o trabalho na PRF me dá muito prazer. Uma sensação pessoal de dever cumprido. De ajudar o Brasil a melhorar.