5 dicas para não cair nas pegadinhas das provas de Língua Portuguesa

Por Tatiane Felix, professora de Português na Central de Concursos

1.Conheça a instituição que organizará a prova do concurso

Há uma tendência em se dizer que “português é português” em todos os concursos, o que faz com que os candidatos não se preparem de maneira correta e focada. É claro que as regras solicitadas são as mesmas dos livros de gramática, contudo, cada instituição tem uma forma específica de exigi-las. Não conhecer o estilo da organizadora é uma porta aberta para cair em pegadinhas.O Cespe/Cebraspe, por exemplo, constrói questões em que o candidato deve julgar certas ou erradas afirmações feitas sobre um determinado assunto, ou seja, não há alternativas a serem assinaladas e pode ser que a construção gramatical da frase esteja correta, mas a afirmação não. Quem vai para a prova sem ter ciência desse estilo de questionamento tende a ser alvo das armadilhas do examinador.O ideal é treinar os conteúdos do edital por meio de provas anteriormente organizadas pela instituição para se familiarizar com o esquema das questões e evitar surpresas no dia do concurso

2. Analise atentamente os enunciados antes mesmo de ler o texto apresentado na prova

Uma pegadinha recorrente é o examinador colocar um texto enorme para fazer perguntas que não exigem leitura aprofundada, mas apenas conhecimentos gramaticais. A proposta é fazer o candidato perder tempo. Para não cair nessa, deve-se analisar os enunciados antes de ler o texto, assim, fica mais objetiva a resolução da prova.

3. Diferencie os temas das questões pelos enunciados

É muito comum o candidato conhecer as matérias estudadas mas não saber como aplicar esse conhecimento, o que se torna um prato cheio para o examinador fazer pegadinhas. Por exemplo: no lugar de escrever no enunciado “assinale a alternativa em que o singular e o plural estão corretos” — que deixaria bem claro o que se deve procurar -, o examinador usa a nomenclatura “concordância” esperando que o concursando não se atenha a esse nome técnico e passe a analisar — sem foco e perdendo um tempo precioso — todos os aspectos gramaticais. Para não ser pego nessa armadilha, o ideal é estudar sempre pensando em terminologias.

Normalmente cada enunciado direciona apenas para um raciocínio.Vale lembrar os tópicos mais pedidos nos concursos: concordância (combinação de gênero e número); regência (análise da complementação dos termos, necessidade de preposição); ortografia (escrita das palavras); morfologia (análise das palavras, classes gramaticais); sintaxe (análise da oração).

4. Grife as informações essenciais do texto

Em questões que solicitam a interpretação, os examinadores costumam usar palavras ou expressões muito parecidas com as do texto original a fim de confundir o candidato. Um trecho que contenha a informação: “as ideias propostas pelos gestores vão na mesma direção do que propõem os grandes empresários, por isso o acordo entre eles é iminente” poderia ser sugerido em uma alternativa da seguinte maneira: “as ideias propostas pelos gestores vão de encontro ao que propõem os grandes empresários, logo, o acordo entre eles é importante”.Observe que a expressão “de encontro a” parece ter o mesmo sentido de “vão na mesma direção”, mas não é o caso, uma vez que significa “choque, contrário”; bem como “iminente” não quer dizer “importante”, mas se refere a algo que está para acontecer. A pegadinha está no vocabulário.Como não ser pego na hora da prova? Grifando o texto e voltando a ele de maneira objetiva, sem ir além do que está escrito. Os examinadores focam nos detalhes que passam despercebidos por um leitor desatento.

5. Verifique se a questão exige apenas análise de sentido ou se também solicita conteúdo gramatical

Uma pegadinha da prova de Língua Portuguesa consiste em tentar fazer o candidato se atrapalhar com questões que exijam a reescrita de frases.O enunciado “marque a alternativa em que a frase ’Em São Paulo, existiram fatos que preocuparam as autoridades’ está corretamente reescrita mantendo o sentido original” pode sugerir seguinte construção em uma alternativa: “Em São Paulo, houveram fatos que preocuparam as autoridades”. Claro está que os verbos “existir” e “haver” têm o mesmo sentido, contudo, há uma regra gramatical que nesse caso exige que “haver” seja usado apenas no singular (houve). Se o candidato só se ateve exclusivamente ao sentido, caiu na pegadinha. É essencial estar atento ao termo “corretamente” no comando da questão, pois esse é um indício de que a norma padrão do idioma deve ser analisada também.